Fístula liquórica​

A fístula liquórica é o "vazamento" do líquido que circula ao redor do cérebro e da medula.

O cérebro e a medula são envolvidos por um líquido cristalino, chamado líquor, que forma uma espécie de "colchão" e serve para proteger as estruturas nervosas contra agressões externas. Tanto o cérebro quanto a medula ficam como se estivessem boiando nesse líquido.

Ao redor do líquor, há uma membrana resistente chamada dura mater, cuja função, além de ajudar na proteção, é conter o líquor e evitar que ele "vaze" para o meio exterior. 

 

A dura mater forma um compartimento hermético. Se ela sofrer algum furo ou rasgar-se, pode ocorrer vazamento do líquor. Esse vazamento é chamado de fístula liquórica. A perda de líquor pode causar diversos transtornos.

Um dos locais onde aparecem fístulas com frequência é na região acima e atrás do nariz, na chamada base do crânio. Neste caso, o vazamento do líquor ocorre pelo nariz e a pessoa observa que ele fica escorrendo com frequência, como acontece durante uma gripe. A diferença é que o líquor tem a consistência totalmente líquida, como se fosse água mesmo, ao passo que nas gripes e resfriados ocorre a eliminação de uma secreção que, geralmente, é mais espessa.  A saída de líquor através do nariz é chamada de rinoliquorréia. À medida que o organismo vai perdendo líquor, o cérebro perde o "colchão" natural que o separa do osso do crânio. Com isso, a pessoa apresenta dor de cabeça como principal sintoma.

O maior problema da fístula liquórica é o risco de infecção. Da mesma forma que o líquor sai do crânio para o meio exterior, inversamente pode ocorrer a entrada de bactérias para o interior do crânio. E a presença de bactérias dentro do crânio causa um tipo de infecção grave e potencialmente fatal chamada de meningite.

 

Outro local onde as fístulas liquóricas também costumam ser frequentes é o ouvido. Neste caso, a perda de líquor é chamada de otoliquorréia.

 

As fistulas liquóricas podem aparecer espontaneamente (sem uma causa definida) ou então surgir após algum traumatismo no crânio. Um terceiro tipo de fístula relativamente frequente é a que se forma após uma cirurgia. Neste caso a perda de líquor ocorre pela própria ferida cirúrgica. 

Além do crânio, existem também as fístulas liquóricas localizadas na coluna vertebral pois o líquor também circula por lá, mas a sua descrição está além dos objetivos desse artigo. 

Sintomas das fístulas liquóricas

Os sintomas variam de acordo com a localização e podem incluir:

  • Dor de cabeça. Tem a peculiaridade de piorar quando a pessoa se levanta e de melhorar quando ela se deita

  • Drenagem de líquido claro pelo nariz, ouvido ou ferida cirúrgica

  • Náuseas e vômitos

  • Dor e/ou rigidez no pescoço

  • Diminuição da audição ou presença de zumbido nos ouvidos

  • Diminuição do olfato

  • Desequilíbrio

  • Sensibilidade à luz (fotofobia)

  • Sensibilidade ao barulho (fonofobia)

  • Gosto metálico ou salgado na boca

Causas e fatores de risco

  • Algumas fístulas aparecem espontaneamente e suas causas são desconhecidas. Outras ocorrem após algum tipo de traumatismo que provoque uma laceração na dura mater. Geralmente isso acontece quando há fratura no crânio, principalmente nas regiões próximas ao nariz e aos ouvidos pois são locais onde o líquor encontra passagem para o meio exterior.

  • Como foi dito, uma fístula pode ocorrer após uma cirurgia no crânio. Durante algumas operações, o médico tem que abrir a dura mater para ter acesso ao local onde irá realizar o procedimento. Ao final da cirurgia ela é fechada com sutura. Este fechamento também pode ser feito com o uso de uma cola especial ou outras técnicas. Mas, se por algum motivo o fechamento não ficar hermético, pode ocorrer vazamento de líquor para o meio exterior através da sutura na pele. 

  • Pacientes com hidrocefalia, que é um problema que causa acúmulo de líquor no crânio, têm um risco maior de apresentarem fístula liquórica.

  • Outro local onde pode ocorrer o aparecimento de fístula liquórica é na coluna. Geralmente ocorre após algum procedimento cirúrgico no local, mas também pode aparecer após traumatismos.

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