Neuralgia do
trigêmeo

NEURALGIA DO TRIGÊMEO

Generalidades

Neuralgia do trigêmeo é um problema causado pela inflamação do nervo trigêmeo que causa uma dor intensa na face. A pessoa pode apresentar crises de dor, às vezes como se fosse um choque elétrico, desencadeada por pequenos movimentos como mastigar ou falar. Muitas vezes a dor é espontânea e aparece repentinamente. O mecanismo da neuralgia ainda não é bem compreendido mas em grande parte dos casos há um vaso sanguíneo, geralmente uma artéria, comprimindo o nervo trigêmeo no crânio. A neuralgia do trigêmeo afeta as mulheres com mais frequência do que os homens e acomete geralmente pessoas de meia-idade ou mais velhas. É um problema sério pois a dor pode influenciar bastante na vida da pessoa de forma bastante negativa. Felizmente, existem diversos tratamentos, como veremos a seguir. Entenda os sintomas, diagnóstico, exames, tratamento e cirurgia da neuralgia do trigêmeo.

Nervo trigêmeo

O nervo trigêmeo é conhecido como quinto nervo craniano, por isso é representado pela letra “V” em algarismos romanos. Nós temos um par, ou seja, direito e esquerdo. Cada um se divide em três ramos: V1 ou ramo oftálmico que vai para a região da testa, V2 ou maxilar que inerva a região das bochechas e V3 ou mandibular que é responsável pela sensibilidade do queixo e lábio inferior. As funções principais do nervo trigêmeo são transmitir a sensibilidade da face e dos dentes e inervar os músculos responsáveis pela mastigação e o ato de engolir.

A neuralgia do trigêmeo ocorre quando há alguma irritação do nervo trigêmeo levando a uma dor intensa. Tipicamente há períodos de dor de curta duração mas muito forte, podendo ser semelhante a uma descarga elétrica. A dor acomete um dos lados da face pois dificilmente os dois nervos são acometidos ao mesmo tempo, e as áreas mais acometidas são aquelas inervadas pelos ramos mandibular e maxilar. No início a dor pode ser leve mas a tendência é aumentar e se tornar “lancinante” e insuportável além de poder ficar cada vez mais frequente e vai “minando” a tolerância e o lado psicológico da pessoa. A neuralgia do trigêmeo também é chamada de “tique doloroso” (tic douloureux) por que a dor pode causar contrações involuntárias na face. A dor pode variar desde uma simples sensação de dormência até sensação de agulhadas ou mesmo queimação como se o local estivesse queimando. Podem aparecer áreas mais sensíveis que podem desencadear uma crise ao toque, chamadas de “ponto de gatilho”. Neste caso, alguns pacientes evitam falar, comer, beber, escovar os dentes ou se barbear e, em algumas situações extremas, pode levar até ao suicídio.

Causas

Na maioria das vezes existe uma artéria comprimindo o nervo trigêmeo dentro do crânio. A pulsação desse vaso leva a uma inflamação do nervo causando a dor. Existem outros tipos de dor na face que devem ser diferenciadas da neuralgia do trigêmeo. A mais frequente talvez seja a dor de dente que pode irradiar para as regiões nos arredores do dente afetado. Também podem acontecer: sinusite, dor causada por herpes (neuralgia pós-herpética), ou algum problema local. É preciso descartar todos os fatores causadores de dor na face pois o tratamento pode ser diferente. Raramente, a dor pode ser causada por algum tumor que comprima o nervo. Pacientes com esclerose múltipla também podem apresentar neuralgia do trigêmeo. Então, para o tratamento ser eficiente, todas estas possibilidades devem ser consideradas e afastadas.

Neuralgia do trigêmeo ou dor de dente?

É comum encontrar pessoas com neuralgia do trigêmeo que fizeram diversos tratamentos dentários na tentativa de aliviar a dor. Não é raro que, alguns desses pacientes, sejam submetidos a extração desesperada dos dentes. Infelizmente, como a origem do problema não está nos dentes, mesmo após a extração a dor permanece.

 

Diagnóstico

O neurocirurgião pode, apenas com o exame clínico, identificar qual ramo do nervo está acometido. São realizados exames de imagem como a ressonância magnética para identificar uma possível compressão do nervo por alguma artéria e, também, para descartar outras possibilidades como tumor ou esclerose múltipla. Entretanto, o diagnóstico é baseado principalmente nas características dos sintomas que são bastante peculiares na neuralgia do V. Nem sempre uma compressão do nervo pode ser identificada pelos exames de imagem, sendo encontrada somente durante a cirurgia. 

Existe uma variedade de terapias incluindo medicamentos, procedimentos com agulha, cirurgia e radiação. Recomenda-se iniciar o tratamento com medicamentos que, na maioria das vezes, é o suficiente para o controle da doença. Muitas vezes a neuralgia pode simplesmente desaparecer ou melhorar por longos períodos. Quando não há alívio adequado ou os efeitos colaterais das drogas se tornam intoleráveis um neurocirurgião deve ser consultado para discutir outros procedimentos. Medicamentos como aspirina e outros analgésicos comuns costumam não ser eficazes. Os medicamentos mais usados são anticonvulsivantes, que são remédios prescritos para quem tem convulsões, e relaxantes musculares. Podem e devem ser utilizados até quando ainda são eficazes no controle da dor e não tragam efeitos colaterais que atrapalhem as atividades diárias do paciente ou prejudiquem sua saúde. Os anticonvulsivantes, atuam com certa eficácia no alívio da dor da neuralgia pois, assim como os relaxantes musculares, bloqueiam a transmissão dos impulsos de dor através do nervo. A maioria das pessoas responde bem e obtêm alívio satisfatório.

Anticonvulsivantes como carbamazepina (Tegretol), oxcarbazepina (Trileptal), fenitoina (Hidantal), gabapentina (Neurontin), lamotrigina (Lamictal) e pregabalina (Lyrica) são os mais usados.

 

Se o medicamente começa a perder o efeito, o médico pode aumentar sua dose, acrescentar outro medicamento ou simplesmente trocar de remédio. Os efeitos colaterais mais comuns que podem aparecer são sonolência, tonteira e alterações sanguíneas. Portanto, os pacientes devem ser rotineiramente monitorados e submetidos a exames de sangue com frequência para garantir que os níveis das drogas mantem-se seguros e que as alterações sanguíneas não estão se desenvolvendo.

Relaxantes musculares, como baclofeno (Lioresal), ajudam porém têm o inconveniente de causar muita sonolência como efeito colateral mais comum.

Eventualmente, o paciente pode chegar a tomar vários medicamentos por dia até um ponto que eles param de fazer efeito ou os efeitos colaterais deixam de ser tolerados. Há casos de pessoas que tomam inúmeras drogas várias vezes ao dia. Em um cenário desses, a situação pode ficar insustentável e ser indicada uma cirurgia.

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