​HÉRNIA DE DISCO - TRATAMENTO

Existe tratamento sem cirurgia para hérnia de disco?

Claro, e as duas melhores formas de se tratar uma hérnia de disco, na verdade, são muito simples e eficientes:

  •  Repouso

  •  Tempo (tratamento clínico ou conservador)

Nós sabemos que a grande maioria das pessoas vai melhorar sem qualquer tipo de tratamento. Ou seja, o próprio organismo vai cuidar de aliviar os sintomas ou até mesmo curar a hérnia. É apenas uma questão de tempo. Estatisticamente, 80% dos pacientes com hérnia de disco lombar (e até 90% das pessoas com hérnia cervical) vão melhorar espontaneamente. Quando a pessoa fica de repouso geralmente essa melhora ocorre mais rapidamente. Após esse período inicial de repouso, deve-se iniciar o tratamento clínico descrito abaixo.

O repouso ajuda na recuperação 

Os analgésicos e anti-inflamatórios ajudam pois amenizam a dor e a fisioterapia contribui para o relaxamento da musculatura se for feita com cautela da fase aguda.

A acupuntura pode proporcionar alívio da dor em algumas pessoas podendo ser utilizada como terapia coadjuvante na fase aguda

Como deve ser feito o tratamento específico para a hérnia de disco?

 

 Após o médico ter realizado os exames necessários para a identificação do problema na coluna lombar, o tratamento deverá então ser iniciado. Várias opções de tratamento estão disponíveis, e elas podem ser subdivididas em duas categorias:

  • Tratamento “conservador” ou tratamento clínico

  • Tratamento cirúrgico

Tratamento clínico (conservador)

 

Os termos clínico e conservador têm sido utilizados para definir todo tratamento que não envolve cirurgia. Com pequenas adaptações, abordagens similares podem ser usadas tanto para pacientes com dor lombar apenas, quanto para pacientes com hérnia de disco e ciática. A maioria dos pacientes pode ser tratada de forma segura e eficaz modificando suas atividades cotidianas e utilizando alguma medicação para alívio da dor e diminuição da inflamação.

A maioria das pessoas necessita somente de um curto período de tratamento que consiste em: repouso na cama por uma, a duas semanas com atividades restritas a caminhadas mínimas até o banheiro e às áreas de alimentação, com nenhuma atividade física desgastante ou árdua. 

 

● Analgésicos: para o período inicial de tratamento, narcóticos leves e relaxantes musculares podem ser administrados; eles não devem ser utilizados por mais do que duas a três semanas, quando então anti-inflamatórios não esteroides devem ser instituídos, a menos que tenham contraindicações.

● Educação: postura correta, posições adequadas para dormir (deitar de lado com um travesseiro entre os joelhos, que devem estar um pouco fletidos; uso de colchão firme), maneiras corretas de inclinar-se para frente, carregar pesos, pegar objetos no chão, etc. A coluna sempre deve ficar alinhada. Dormir de bruços (de barriga para baixo) não faz bem à coluna e deve ser evitado.

● Uso de colete lombossacro: Deve ser utilizado criteriosamente com supervisão do médico. Aumenta a sustentação na área lombar aliviando a dor, porém, seu uso prolongado pode causar fraqueza da musculatura desta região e agravar o problema no longo prazo.

 

Após o alívio dos sintomas recomenda-se o retorno progressivo às atividades habituais e início gradual de exercícios não vigorosos, como caminhadas e hidroginástica. Posturas inadequadas devem ser evitadas sempre.

 

Entretanto, estas orientações não são absolutas e só o seu neurocirurgião poderá fazer um julgamento sobre qual tratamento é mais apropriado para o seu caso e, qual não é recomendável.

● Fisioterapia:

Após uma ou duas semanas de repouso, o benefício máximo é alcançado, então os problemas relacionados à imobilidade (fraqueza muscular, rigidez articular...) podem aparecer. Nesta fase, um programa de fisioterapia motora pode ser considerado. Recomenda-se a avaliação de um fisioterapeuta, pois, sua participação é fundamental. A terapia inicial geralmente compreende:

 

  • Exercícios de fortalecimento

  • Alongamentos

  • Terapia com calor profundo (também conhecido como “ultrassom”)

O tratamento fisioterápico é muito importante e deve ser feito sempre com o acompanhamento de um fisioterapeuta

Após a melhora do episódio inicial de dor, um programa de reabilitação deve ser iniciado para aumentar a força muscular lombar e abdominal, melhorar a estabilização da coluna lombar e exercícios de alongamento para aumentar a flexibilidade.

Superada a fase inicial de dor forte da hérnia de disco lombar, passamos para outra etapa: exercícios leves, como os feitos na hidroginástica e caminhadas e, naturalmente, o retorno gradual às atividades normais, desde que não requeiram esforço da região lombar. Uma avaliação do fisioterapeuta, nesta segunda fase, é bem útil e um programa de fisioterapia motora pode ser iniciado.

Outras Abordagens Não-Cirúrgicas

● Infiltração ou bloqueio — É um procedimento rápido e seguro na hérnia de disco lombar. Muito conveniente para os pacientes que se encontram no auge de uma crise de dor lombar intensa. Sob anestesia local o médico injeta anestésicos e anti-inflamatórios diretamente na região lombar, nos locais onde geralmente a dor tem sua origem obtendo um resultado mais eficiente do que quando a pessoa toma medicamentos semelhantes por via oral. O alívio geralmente é imediato. Este procedimento é especialmente útil na fase aguda e naqueles pacientes que não conseguem fazer fisioterapia por causa da dor.

A infiltração pode dar um alívio considerável, principalmente durante uma crise de dor forte

● Rizotomia por radiofrequência — Procedimento semelhante à infiltração citada acima. Nas rizotomias o médico cauteriza pequenos nervos que se localizam nas articulações da coluna através de agulhas inseridas em pontos estratégicos. Indicamos este procedimento geralmente quando o paciente, com ou sem hérnia de disco lombar, sofre há muito tempo de dor lombar ou tem crises recorrentes. O alívio também é imediato. Pacientes que antes não tinham um mínimo de qualidade de vida devido às limitações ocasionadas pela dor, voltam praticamente às suas atividades normais. O resultado é excepcional.

Na rizotomia por radiofrequência o médico, utilizando agulhas especiais, punciona alguns pontos específicos na coluna. Essas agulhas são então conectadas ao aparelho de radiofrequência através de cabos,

O aparelho faz a ponta da agulha esquentar cauterizando os nervos que transmitem a dor. Tudo é feito com o auxílio do aparelho de raio x 

Quiropraxia — É um tipo de tratamento muito usado nos Estados Unidos e que recentemente está aparecendo no Brasil. O quiropata realiza movimentos e manipulações da coluna visando colocar os segmentos vertebrais na sua posição correta. Não tenho conhecimento bastante para opinar sobre o assunto mas acredito que não tenha muito valor para o tratamento da hérnia de disco. Em outras situações como lombalgia, por exemplo, ou para a prevenção da hérnia de disco essa terapia pode ser bastante útil e o seu uso deve ser incentivado.

● Aplicações de calor superficial e massagem leve — Podem proporcionar conforto para o paciente, mas não têm valor terapêutico real para a hérnia de disco lombar. Trações eram muito utilizadas no passado, mas atualmente suas indicações são restritas. Foi observado que a carga empregada na tração causa pouco impacto sobre as vértebras e os discos e pode causar lesões nos mesmos. Ou seja, uma força excessiva aplicada sobre os membros (braços e pernas) pode causar lesões nos mesmos, especialmente nas articulações. Apesar disso, essa força acaba se dissipando e muito pouco chega até os discos.

Trações leves, principalmente quando realizadas com as mãos, geralmente têm um efeito benéfico na musculatura, aliviando tensões e dores. Altas doses de vitaminas têm sido prescritas por alguns, mas faltam provas científicas do seu valor terapêutico.

Trações excessivas não são recomendadas pois podem machucar os braços e as pernas. Além disso, o efeito sobre os discos é relativamente pequeno. Parece ser mais seguro quando o fisioterapeuta aplica trações leves e moderadas com as mãos.

Acupuntura — Tratamento chinês existente há mais de dois mil anos, que utiliza agulhas colocadas em pontos estratégicos do corpo. Com isso haveria estimulação de certos "meridianos chineses" que estariam relacionados com a área do corpo acometida. Não trata a hérnia de disco propriamente dita, mas tem ação positiva, pois ajuda a aliviar a dor sendo uma terapia bastante útil em determinadas situações.

 

 

Logo após a melhora do episódio inicial de dor, um programa de reabilitação deve ser iniciado para aumentar a força muscular lombar e abdominal e melhorar a estabilidade e flexibilidade da coluna lombar e, com isso, diminuir a possibilidade de a hérnia voltar. Os efeitos naturais do envelhecimento que resultam em diminuição da massa óssea e redução da força e elasticidade dos músculos e ligamentos, e que contribuem para o aparecimento de hérnias, não podem ser evitados. Entretanto, eles podem ser retardados e amenizados. No longo prazo recomenda-se a manutenção do condicionamento físico. Deve-se evitar o sedentarismo e a obesidade, pois, estes fatores aumentam a chance de recorrência de dor lombar e hérnia de disco lombar.

Estas são orientações gerais e não podem ser utilizadas como regra absoluta, pois podem variar de caso para caso segundo os critérios do neurocirurgião.

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