Temperatura ambiente

Geralmente as salas de cirurgia são bastante frias e a maioria das pessoas não sabe o motivo. Segundo a “Sociedade Americana dos Engenheiros de Calor, Refrigeração e Ar Condicionado” a temperatura de uma sala de cirurgia deve variar entre 18 a 20° C com uma umidade de 70%. Isso pode influenciar na saúde do paciente.

 

O sucesso da cirurgia depende da otimização das condições de trabalho para os membros da equipe (cirurgiões, anestesiologistas e enfermeiros). Alguns procedimentos são bastante prologados, sendo que é bem comum uma neurocirurgia durar várias horas. Para manter um rendimento estável durante 6, 8 ou 10 horas seguidas, é imprescindível que o neurocirurgião economize energia. Quando possível, ele deve operar assentado.

A temperatura da sala é um fator muito importante nesse aspecto. O capote cirúrgico que o médico usa e as luzes que iluminam o campo cirúrgico podem fazer o cirurgião sentir bastante calor. Isso causa desgaste e cansaço prematuro. O calor também atrapalha o uso do microscópio, pois a transpiração do médico pode embaçar as lentes das oculares e interferir na visão. Por outro lado, uma temperatura extremamente baixa também é prejudicial. O sistema de ar condicionado deve estar sempre bem calibrado.

O objetivo principal de manter essa baixa temperatura é prevenir o excesso de umidade dentro da sala de cirurgia. Quando esse espaço é mantido quente, pode ocorrer condensação da água nas superfícies, incluindo o teto e os equipamentos, o que torna o ambiente desconfortável e coloca em risco a saúde do paciente.

A condensação pode fazer cair gotículas de água das superfícies da sala em cima de materiais esterilizados, instrumentos cirúrgicos e até na ferida cirúrgica. Essa umidade pode conter bactérias e causar sérias infecções. A temperatura baixa na sala de cirurgia diminui a umidade e também inibe o crescimento das bactérias.

A temperatura da sala de cirurgia deve ser controlada

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Uma cirurgia no crânio ou na coluna tem vários riscos. Praticamente todas as complicações de um procedimento cirúrgico podem ser previstas ou antecipadas. Faz parte do planejamento cirúrgico tentar reduzir ao máximo o risco da ocorrência desses problemas. Atualmente, podemos dizer que a complicação potencialmente grave mais frequente de uma neurocirurgia é a infecção. Nos melhores centros médicos do mundo é aceitável um índice de infecção de 2 a 4% nos dias de hoje. Isso significa que, a cada 100 cirurgias realizadas, cerca de 2 a 4 pacientes vão apresentar infecção no pós operatório. Os mais propensos a desenvolver esse problema são os idosos e as pessoas que tem alguma doença sistêmica não controlada, como o Diabetes Mellitus, por exemplo, pois nessas situações ocorre uma redução da resistência do organismo. Apesar da infecção ser uma complicação potencialmente grave, esses números são considerados baixos e a grande maioria dos pacientes evolui bem com o tratamento a base de antibióticos.

 

O objetivo é alcançar zero por cento de infecção e, para isso, todos os profissionais envolvidos numa cirurgia tem a sua parcela de contribuição. Vejamos os pontos principais nessa tarefa:

Assepsia é o conjunto de medidas adotadas para impedir a entrada de germes no organismo. Podemos citar a esterilização dos instrumentos cirúrgicos, a limpeza do ambiente, o uso de máscaras, capotes e gorros, por exemplo. O objetivo é eliminar qualquer contato do paciente com agentes patogênicos como bactérias, vírus e fungos. 

Antissepsia consiste na utilização de produtos (antissépticos) sobre a pele ou mucosa com o objetivo de reduzir os micro-organismos em sua superfície, segundo a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Antes de começar uma cirurgia, os médicos sempre aplicam substâncias na pele do paciente, como alguns tipos de sabão, iodo ou álcool. Também é chamada de antissepsia quando o próprio cirurgião lava e escova suas mãos antes de um procedimento cirúrgico. Enquanto na assepsia o objetivo é eliminar 100% dos germes, na antissepsia ocorre apenas a redução do número de patógenos. 

 

 http://portal.anvisa.gov.br/documents/33852/271858/NOTA+T%C3%89CNICA+N%C2%BA01-2018+GVIMS-GGTES-ANVISA/ef1b8e18-a36f-41ae-84c9-53860bc2513f

Os conceitos parecem simples, mas se pararmos para pensar nas atividades desenvolvidas no dia-a-dia com nossos pacientes percebemos em quais a antissepsia precisa estar presente.

Vários são os produtos utilizados, dentre eles destacamos o iodo povidona PVPI, o qual é muito utilizado na antissepsia e degermação. Porém, os diferentes tipos de PVPI são utilizados em diferentes superfícies, e, portanto, vamos conhecer um pouco mais sobre cada um deles?

PVPI aquoso: Composto orgânico de iodo, não age na presença de materiais orgânicos e eleva o nível sérico de iodo;

PVPI degermante: Utilizado somente em pele íntegra, com a finalidade de remover sujidade e reduzir a flora transitória e residente. Deve ser retirado após o uso. Tem indicação também na degermação da pele, mãos, área cirúrgica e procedimentos invasivos.

PVPI alcoólico: Indicado para uso em pele íntegra, após degermação das mãos, com a finalidade de fazer luva química e demarcar a área operatória, reduzindo a flora da pele;

Portanto, caro colega, observe a relação de alguns procedimentos em que a antissepsia é muito importante:

PROCEDIMENTOS 
Antissepsia da mucosa:
Antissepsia das mucosas bucal, ocular, vaginal e intestinal, ou dos locais em que pode haver lesão.

SOLUÇÃO UTILIZADA
PVPI AQUOSO

PROCEDIMENTOS
Remoção de sujidade e redução da flora residual e transitória:
Degermação da pele, principalmente na área cirúrgica e procedimentos invasivos. Deve ser retirado após o uso.

SOLUÇÃO UTILIZADA
PVPI DEGERMANTE

PROCEDIMENTOS
Cuidados pré-operatórios:
Luva química, antissepsia de campo operatório após PVPI degermante, demarcação da área cirúrgica.

SOLUÇÃO UTILIZADA
PVPI ALCOÓLICO

Como vimos anteriormente, o PVPI degermante é muito utilizado como antisséptico dergemante.

Lembre-se, de que é utilizado somente em pele íntegra, antes de procedimentos invasivos e nas mãos da equipe cirúrgica, com tempo residual de 2 a 3 horas.

Convém lembrar que o antisséptico clorexidine aquoso faz a antissepsia, antes de procedimentos invasivos, com um tempo de ação residual de 5 a 6 horas. Já o álcool a 70% glicerinado tem ação imediata e faz a antissepsia de procedimentos que não necessitam de efeito residual por serem de curta duração.

A antissepsia das mãos: em unidades de terapia intensiva, berçário de alto risco, unidades de transplantes, hematologia e na realização de pré e de pós-procedimentos e exames invasivos deve ser realizada utilizando-se a mesma técnica de lavagem das mãos, incluindo os antebraços, porém, usando os antissépticos acima citados.

Ao utilizar PVPI ou clorexidine não utilizar álcool a 70% imediatamente após, pois este inativa a ação residual dos mesmos. O uso do PVPI é contraindicado em recém-natos e grandes queimados devido a sua absorção transcutânea de iodo, podendo acarretar hipertireoidismo. A clorexidine deve ser utilizada em caso de pacientes ou funcionários alérgicos ao iodo.

Para que você considere a importância da antissepsia e dos procedimentos invasivos, é importante lembrar alguns procedimentos invasivos.

• Tubos orotraqueais associados ao ventilador artificial;
• Cateteres venosos centrais;
• Cateteres arteriais;
• Cateteres para monitoração de pressão intracraniana;
• Sondas e drenos em cavidades, órgãos ou espaços.

Assepsia: “conjunto de medidas utilizadas para impedir a penetração de micro-organismos em local que não os continha” (MS).

Conforme a definição, a prática da assepsia se utiliza de meios apropriados para impedir a introdução de micro-organismos no organismo. Ela difere da antissepsia, pelo fato de não empregar agentes terapêuticos.

Neste contexto, os profissionais de saúde utilizam medidas de assepsia para evitar, direta ou indiretamente, a transmissão de micro-organismos.

Vejamos, então, algumas medidas assépticas importantes nas nossas atividades diárias:

• Usar meios assépticos para manuseio de alimentos, pratos e utensílios usados na alimentação;
• Utilizar técnicas rigorosas para lavagem das mãos e higiene pessoal meticulosa;
• Cozinhar e armazenar adequadamente os alimentos;
• Usar adequadamente os equipamentos descartáveis;
• Desinfectar a unidade do paciente, após a alta;
• Usar máscaras, luvas, aventais etc., nas áreas de isolamento;
• Limpar e esterilizar adequadamente os equipamentos hospitalares;
• Descartar adequadamente os resíduos hospitalares e os materiais contaminados etc.

Podemos agora acrescentar a estas duas primeiras definições outra prática na nossa rotina:

Degermação: “é a remoção de sujidades, detritos, impurezas e microbiota transitória da pele através do uso de sabão e detergentes sintéticos.” (MS).

Muito utilizado na degermação é o PVPI, usado apenas em pele íntegra, antes de procedimentos invasivos e nas mãos da equipe cirúrgica, com tempo residual de 2 a 3 horas.

Desinfecção: “destruição de agentes infecciosos que se encontram fora do corpo, por meio de exposição direta a agentes químicos ou físicos”. (MS).

A desinfecção pode ser concorrente quando “a aplicação de medidas desinfectantes ocorre o mais rápido possível, após a expulsão de material infeccioso do organismo de uma pessoa infectada, ou depois que a mesma tenha se contaminado com o referido material”. (MS).

Portanto, de acordo com esses conceitos, você pode verificar que a desinfecção reduz ao mínimo o contato dos indivíduos com materiais ou objetos infectados.

Pode ainda ser desinfecção terminal “desinfecção feita no local em que esteve um caso clínico ou portador, ocorrendo, portanto, depois que a fonte primária de infecção deixou de existir (por morte ou por ter se curado), ou depois que ela abandonou o local”. (MS).

• Álcool a 70% (etílico e isopropílico) e bactericida viruscida, tuberculocida não destrói esporos bacterianos.

O nível de desinfecção desse produto é médio e baixo; é inflamável e deve ser estocado em área fresca e ventilada; é volátil, evaporando facilmente. Faz-se necessária a imersão do artigo (pinças, tesouras etc.), para que se alcance tempo maior de contato. Considere-se, ainda, que este produto tem efeitos desfavoráveis, deformando e endurecendo materiais de borracha e alguns plásticos.

O álcool a 70% faz a desinfecção de superfície contaminada, dependendo de seu uso após limpeza e fricção por 3 vezes consecutivas.

• Quaternário de amônio (composto de 1ª, 2ª e 3ª gerações, é bactericida, viruscida (para vírus lipofílicos) e fungicida; não é tuberculocida; elimina o vírus HIV 1 (AIDS); herpes simples 1 e 2 segundo estudos feitos pela Eviroment Protection Agency (EPA). Confere desinfecção de baixo nível e é basicamente indicado para fazer sanitarização de artigos não críticos (comadres, potes plásticos).

• Hipoclorito líquido (hipoclorito de sódio); sólido (hipoclorito de cálcio) dicloroiso, cianureto de cálcio, tem ação bactericida, viruscida, fungicida, tuberculocida, destrói alguns esporos. Possui desinfecção de alto, médio e baixo níveis de acordo com a concentração e tempo de contato. Deve ser estocado em recipientes plásticos opacos e fechados. Indicado pela vigilância como único desinfectante.

Agora veja qual o produto que faltou ser ofertado. Pois é o mais simples, água + sabão para limpeza e remoção de sujidades em varredura úmida.

Deixo para reflexão a importância da adoção das medidas de assepsia, antissepsia e desinfecção em suas ações para um melhor atendimento aos clientes e sua segurança pessoal.

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