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INTRODUÇÃO
Meningioma cerebral é um tipo de tumor benigno que se origina a partir das membranas que recobrem e protegem o nosso cérebro. Estas membranas são chamadas
meninges, por isso o nome de meningioma ou meningeoma.
Habitualmente os meningiomas apresentam crescimento lento e causam poucos sintomas, principalmente no início do seu desenvolvimento. Por isso, geralmente, a pessoa só descobre que tem um meningioma cerebral quando ele já está relativamente grande e é capaz de comprimir estruturas cerebrais e causar sinais e sintomas. Outras vezes, devido a essa característica de crescimento lento e silencioso, o meningioma é descoberto por acaso quando a pessoa realiza algum exame
(Tomografia Computadorizada ou
Ressonância Magnética) para avaliar outro problema, como um traumatismo no crânio por exemplo, e o meningioma é encontrado nas imagens. Nessa situação chamamos de “achado incidental”, ou seja, a lesão, o meningioma cerebral, não estava causando nenhum sintoma importante e foi descoberta apenas por que apareceu em algum exame do crânio que o paciente fez por outro motivo.
Ressonância Magnética evidenciando lesão arredondada correspondente a meningioma gigante.
Os meningiomas podem ser retirados e curados por cirurgia. Eventualmente, pode-se optar por não realizar qualquer tipo de cirurgia ou tratamento específico, e o meningioma cerebral é acompanhado com repetição dos exames de tempos em tempos. Nessa eventualidade, a qualquer sinal de crescimento do meningioma, a cirurgia é então realizada.
Apesar de serem consideradas lesões benignas, existem também os meningiomas cerebrais que apresentam comportamento maligno. Estes meningiomas geralmente têm comportamento diferente do habitual, com crescimento rápido. Felizmente, os meningiomas que fogem do padrão e apresentam comportamento maligno são muito raros e correspondem somente a cerca de 1% de todos os meningiomas
e serão comentados em outra oportunidade.
Devido ao crescimento lento dos meningiomas benignos, o cérebro vai gradativamente se adaptando sem que a pessoa tenha qualquer sinal ou sintoma. Essa capacidade de adaptação cerebral é chamada por nós, médicos, de complacência. Porém isso tem um limite. Quando a complacência cerebral é ultrapassado, os sintomas começam a aparecer gradativamente; ou seja, a partir desse limite o meningioma comprime muito o cérebro ou os nervos intracranianos. É muito frequente encontrarmos meningiomas gigantes pois, às vezes, o paciente só vai apresentar algum sintoma quando a
lesão já está bastante grande.
Meningiomas na Coluna – Existem ainda os meningiomas que estão localizados na coluna e que crescem a partir das meninges que recobrem a
medula. Apesar de se tratar do mesmo tipo de lesão, os sintomas e o tratamento obviamente são diferentes dos meningiomas cerebrais. Essas lesões são abordadas neste site na área dedicada às “Patologias da Coluna Vertebral”.
SINTOMAS
Uma grande variedade de sinais e sintomas pode aparecer devido aos menigiomas e eles geralmente estão relacionados à localização da lesão cerebral. Os sinais e sintomas mais comuns são dor de cabeça, vômitos, convulsões, fraqueza ou paralisia parcial ou total de braços e pernas.
O objetivo do tratamento é curar a pessoa com a retirada total do tumor. Paralelamente, com a retirada do meningioma, conseguimos também eliminar os sinais e sintomas, ou seja, obtemos alívio das dores de cabeça por exemplo e, caso o paciente apresente alguma paralisia, a força muscular no membro afetado tende a voltar ao normal.
DIAGNÓSTICO
Os exames recomendados para identificar o meningioma cerebral são Tomografia Computadorizada e Ressonância Magnética do crânio.
A imagem abaixo é de uma ressonância magnética do crânio. Observa-se uma imagem arredondada branca localizada no centro da região frontal, logo acima dos olhos, que corresponde a um meningioma gigante.

TRATAMENTO
Podemos, de forma genérica e didática, dividir o tratamento dos meningiomas cerebrais em três tipos de abordagem distintas:
1- Tratamento cirúrgico com a retirada total do meningioma por meio da microcirurgia
2- Tratamento cirúrgico com retirada parcial do meningioma, também usando microcirurgia
3- Tratamento clínico
O tratamento mais eficaz para o meningioma cerebral é a cirurgia. Atualmente a cirurgia é o único tratamento que consegue realmente eliminar o tumor. O procedimento cirúrgico para retirada do meningioma está em evolução contínua; o refinamento constante da técnica cirúrgica aliado à experiência do neurocirurgião são fatores decisivos pra o sucesso do tratamento.
Felizmente, com a nossa experiência, temos obtido excelentes resultados no tratamento dos meningiomas. Nossa meta é a retirada total da lesão com o mínimo de risco para o paciente e sem deixar qualquer sequela.
As imagens seguintes são de um paciente com um meningioma cerebral de tamanho médio mas com grande área de edema ao seu redor. Nas duas primeiras o meningioma corresponde à lesão arredondada e branca, e o edema aparece como uma mancha escura na Tomografia.
Nós operamos esse paciente e retiramos toda o meningioma, que já não aparece na terceira Tomografia realizada logo após a cirurgia (ainda pode ser vista a área de edema). O paciente recuperou-se bem, sem
sequelas, e voltou às suas atividades normais, sem qualquer restrição.
O quarto exame é uma Ressonância realizada cerca de três anos após a cirurgia. Podemos observar que não existe mais sinais do meningioma nem de edema.




Tratamento cirúrgico – A microcirurgia é o procedimento mais moderno no tratamento do meningioma cerebral. Consiste no uso do microscópio cirúrgico na abordagem do meningioma, o que confere maior precisão e segurança, diminuindo-se drasticamente o risco de lesão das estruturas cerebrais adjacentes ao tumor. Usando um microscópio de última geração, o neurocirurgião, na maioria das vezes, pode retirar toda o meningioma e a cura ser obtida.
Podemos dizer que a capacidade de se retirar toda o meningioma cerebral com um risco mínimo para o paciente está intimamente relacionada com a localização e o tamanho da lesão. Quanto mais superficial e menor o meningioma, melhores são as chances de que ele seja totalmente removido e o paciente curado.
Retirada parcial – Os meningiomas com localização mais profunda às vezes não podem ser totalmente removidos devido ao risco de sequelas. Nessa situação, usando sua experiência e bom senso, o neurocirurgião pode optar por retirar parte da lesão e evitar abordar as áreas de maior risco. Com isso também se pode obter excelentes resultados para o paciente
com um risco bem baixo. Os sinais e sintomas
podem ser aliviados e a pessoa
voltar à sua vida normal.
A porção remanescente da lesão é acompanhada posteriormente com a repetição periódica dos exames de imagem como a Tomografia ou a Ressonância.
As Ressonâncias Magnéticas abaixo mostram um meningioma extremamente grande e de localização profunda. Nessa situação não é prudente tentar sua retirada radical pois o risco de sequelas é muito alto.

Tratamento clínico – Meningioma pequenos podem ser apenas acompanhadas com repetição dos exames de tempos em tempos (a cada 6 meses por exemplo) ou serem operados imediatamente. Caso seja optado pelo acompanhamento clínico, uma vez identificado um crescimento ou outro tipo de alteração no meningioma, a cirurgia é realizada. Caso a opção seja a cirurgia precoce, o problema pode ser eliminado imediatamente aproveitando-se a oportunidade de tratar uma lesão pequena e provavelmente mais fácil de ser abordada.
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