Hérnias de Discos – Visão Geral
A hérnia de disco é uma alteração na coluna muito comum nos serviços de neurocirurgia. Pode causar dor local, na região da coluna onde está localizada a hérnia, mas também pode causar dor à distância, que é a dor que irradia para outras partes do corpo. Por exemplo, a hérnia lombar pode causar dor na região lombar e irradiar para uma das pernas. Dependendo da intensidade da dor, pode causar desde um leve desconforto até a incapacidade total do indivíduo.
Felizmente, na maioria das vezes, a dor melhora espontaneamente com o passar do tempo, sem a necessidade de tratamento e, por vezes, sem a participação do médico.
Entretanto, sempre que possível, a pessoa deve receber tratamento específico, sob supervisão médica adequada. O tratamento tem o objetivo de aliviar os sintomas e fazer com que a pessoa volte o mais breve possível às suas atividades habituais, além de prevenir a volta da hérnia.
O tratamento vai desde a prescrição de medicamentos, passa por fisioterapia e pode, inclusive, ser necessária a cirurgia. Mesmo quando a pessoa se recupera sem ter se submetido a uma cirurgia, é importante que ela inicie algum programa de prevenção, assim que possível, para evitar que o problema volte. Se você entender o mecanismo da dor e de outros sintomas e sinais, poderá ser mais fácil seguir o tratamento prescrito. Por este motivo, vou explicar algumas coisas importantes na anatomia da coluna.
Anatomia da Coluna Vertebral e dos Discos Intervertebrais
A nossa coluna é dividida em quatro partes:
Cervical
Torácica
Lombar
Sacral
Podemos observar que, na grande maioria das pessoas, a coluna cervical é formada por sete vértebras, a torácica por doze e a lombar por cinco vértebras. Separando uma vértebra da outra estão os discos intervertebrais. As vértebras são estruturas bastante rígidas e correspondem à parte óssea da coluna e são responsáveis pela estabilização e suporte. Já os discos são cartilagens macias e têm a função principal de amortecer os movimentos das vértebras e absorver choques e pancadas. Essas estruturas estão ligadas entre si por articulações, ligamentos e músculos.

Os discos possuem uma parte externa que é mais rígida chamada de ânulo fibroso. Já o seu interior é formado por uma substância gelatinosa, bastante rica em água, que é responsável pela capacidade de amortecimento do disco. Quando o ânulo fibroso sofre um enfraquecimento, o conteúdo gelatinoso do disco pode se deslocar e formar a chamada hérnia de disco. A hérnia de disco, ou seja, a parte deslocada do disco, pode comprimir estruturas nervosas que ficam no interior das vértebras chamadas de raízes nervosas ou nervos. Nas duas imagens abaixo vemos as representações de duas vértebras da coluna lombar – a primeira é normal e a segunda está com hérnia de disco.

Hérnia de disco é, pois, uma parte deslocada do
disco intervertebral, a qual, na maioria das vezes, comprime alguma raiz nervosa. O deslocamento do disco pode ser localizado, chamado de protrusão discal, mas também pode ser difuso, conhecido como abaulamento discal.
Quadro Clínico das Hérnias de Disco
O quadro clínico vai variar de acordo com o local da coluna onde a hérnia está localizada. Em geral, os sintomas estão intimamente relacionados com a raiz nervosa que está sendo comprimida. A compressão nervosa pode ocasionar sinais e sintomas irradiados para os membros, como dor, diminuição da força, alteração da sensiblilidade e limitação no movimento. A dor é o sintoma mais frequente. Em alguns casos, além da compressão de nervos, ocorre também a compressão da medula levando a um quadro mais exuberante. Assim sendo, podemos ver os seguintes efeitos das hérnias de disco de acordo com sua localização:
-- Na Coluna Cervical – Dor no pescoço e dificuldade para movimentá-lo. A dor pode irradiar para um ou para os dois braços e pode vir acompanhada de fraqueza muscular e diminuição da sensibilidade.
-- Na Coluna Torácica – Dor na região da coluna torácica podendo apresentar dormência em áreas do tórax e abdome.
-- Coluna Lombar – Em geral, dor na região lombar que pode irradiar para uma ou para as duas pernas. A dor pode vir acompanhada de diminuição da força e da sensibilidade das pernas.
Importante: esses sintomas podem variar bastante de uma pessoa para outra. Alguns pacientes apresentam somente uma parte desses sintomas. Outros, com hérnias maiores e comprometimento também da medula, podem apresentar fraqueza importante nos membros com maior dificuldade para andar, e até alterações urinárias como retenção (urina presa) ou incontinência (urina solta.)
Motivos para o Aparecimento das Hérnias de Disco
Vários motivos podem levar ao aparecimento das hérnias de disco, todavia os mais comuns são: degeneração ou desgaste do disco pelo uso (mais frequente em pessoas mais velhas, mas também pode ocorrer em pessoas jovens); má postura; stress mecânico (esforço intenso e repentino); pegar e/ou carregar peso de forma imprópria; obesidade. Além disso, a falta de exercícios físicos ou sedentarismo é um fator predisponente importante. Admite-se também que deficiências alimentares também possam contribuir para a formação da hérnias de disco.
As hérnias de disco aparecem com mais frequência na idade adulta. Nas pessoas mais idosas elas são mais raras, por que com o avanço da idade os discos perdem água, diminuem a flexibilidade, e naturalmente reduzem sua altura. Com a consequente diminuição da mobilidade da coluna e ressecamento dos discos é mais difícil a formação das hérnias. Nas pessoas mais jovens, que tem a musculatura mais forte e ainda não sofreram desgaste suficiente dos discos, as hérnias também são menos frequentes.
Diagnóstico das Hérnias de Disco
O primeiro dado que temos para o diagnóstico é a história. Como e em quais circunstâncias apareceram os sintomas e como foi a evolução do quadro.
Em seguida temos o exame físico neurológico. Como cada raiz nervosa tem uma distribuição conhecida, com o exame neurológico podemos identificar, com certa precisão, em que nível da coluna está a lesão.
Por fim, com exames de imagem como Ressonância Magnética ou Tomografia Computadorizada, temos a localização exata da hérnia, sua forma, tamanho e ainda podemos avaliar se há comprometimento de alguma raiz nervosa ou da medula.
|